O preço do Bitcoin (BTC) caiu abaixo de US$ 80 mil nesta quarta-feira, registrando uma queda superior a 2% nas últimas 24 horas. O recuo ocorre após uma alta de 37% em relação às mínimas de abril, interrompida na média móvel de 200 dias (MA de 200 dias).
No entanto, três sinais de alerta já haviam aparecido antes. O cenário da MA de 200 dias, os fatores responsáveis pela alta e os dados on-chain indicavam fragilidade antes da reversão.
1. A alta até US$ 83 mil foi impulsionada por perps, não por spot
A Wintermute apontou que o rápido avanço do Bitcoin para cerca de US$ 83 mil marcou sua primeira vez acima de US$ 80 mil desde janeiro. O movimento também superou a MA de 200 dias, que servia como limite para o preço há sete meses. A CryptoQuant posicionou a linha de resistência em US$ 82,4 mil.
Porém, o market maker classificou essa alta como o oposto de um movimento saudável de mercado. Segundo a empresa, o preço foi impulsionado por um salto no open interest, que subiu de US$ 48 bilhões para US$ 58 bilhões no mês. Os volumes no mercado spot também caíram ao menor nível em dois anos.
“Mercados de alta são confirmados pelo spot. Dessa vez, é impulsionada por perps. O BTC ficou acima de US$ 70 mil, poucos acreditaram, posições vendidas aumentaram, acabaram liquidadas e tiveram que ser cobertas por compras. O funding continua majoritariamente em posições short, então há mais espaço para squeezes. Mas cobertura não é convicção”, escreveu a Wintermute no X.
2. A MA de 200 dias repetiu o movimento de 2022
A CryptoQuant afirmou que a configuração é semelhante à de março de 2022. Naquele ciclo, o Bitcoin subiu 43% antes de travar na MA de 200 dias e depois retomar a tendência de baixa. O avanço atual de 37% enfrentou o mesmo teto.
A semelhança vai além do preço. Em 5 de maio de 2026, a margem de lucro não realizada dos investidores atingiu 17,7%, o maior nível desde junho de 2025.
O indicador chegou a patamares parecidos quando o Bitcoin testou sua média móvel de 200 dias em março de 2022, período que antecedeu a queda seguinte.
No mesmo momento, sinais de distribuição já se manifestavam. Os lucros diários realizados subiram para 14.600 BTC em 4 de maio de 2026, maior número diário desde 10 de dezembro de 2025, sinalizando que a realização de lucros já é clara nos dados on-chain.
“Historicamente, picos desse tamanho em ralis de mercados de baixa precederam topos locais, pois a nova leva de investidores de curto prazo passa a distribuir rapidamente diante da força do preço”, observou a CryptoQuant em relatório.
3. Entrada de capital no Bitcoin não mostra convicção das últimas altas
Por fim, a Glassnode destacou que o Realized Cap 30-Day Net Position Change chegou a US$ 2,8 bilhões por mês. Entretanto, em todos os grandes ciclos de alta entre 2023 e 2025, esse indicador saltou de cerca de US$ 2 bilhões para US$ 10 bilhões mensais nas fases iniciais de cada rali.
“Ainda que o indicador atual seja interessante, ele está bem abaixo daquele patamar, o que sugere que a entrada de capital nesta recuperação não apresenta a convicção verificada nos principais pontos de inflexão do ciclo anterior”, aponta o relatório.
Em conjunto, os dados demonstram que a fragilidade já era crescente muito antes da queda para US$ 80 mil, funcionando mais como confirmação do que os dados já indicavam.
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