14/05/2026, 16:00

Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Vorcaro para filme sobre o pai, mostram mensagens vazadas

O senador Flávio Bolsonaro pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para a produção do filme “Dark Horse”, uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. As mensagens e o áudio foram revelados pelo site Intercept Brasil ontem (13). A TV Globo confirmou a autenticidade do material com investigadores e pessoas que tiveram acesso ao conteúdo.

Em uma das mensagens, Flávio escreveu a Vorcaro a frase “Estou e sempre estarei contigo”. Em outro momento, perguntou se o banqueiro toparia jantar com o ator norte-americano Jim Caviezel. O ator é o protagonista do filme e dá vida ao ex-presidente na produção.

Segundo o Intercept, Vorcaro pagou R$ 61 milhões para a produção do filme entre fevereiro e maio de 2025. A reportagem aponta que o dinheiro foi transferido para um fundo nos Estados Unidos ligado a um aliado de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador e ex-deputado federal. A empresa Entre Investimentos teria intermediado os repasses entre o banqueiro e a produção.

Áudio mostra Flávio Bolsonaro cobrando pagamentos atrasados

Em um áudio enviado a Vorcaro em setembro do ano passado, Flávio falou em “momento decisivo” do filme e cobrou pagamentos pendentes. Em um trecho, o senador disse: “tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso”.

O senador também citou o risco de o projeto perder a equipe e o elenco. Mencionou nominalmente Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. “Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, disse Flávio.

No mesmo áudio, o senador pediu “uma posição” ao banqueiro. Alegou ter “muita conta para pagar” naquele mês e no seguinte. Mais cedo no dia 13, Flávio havia negado o conteúdo da reportagem. “É mentira”, afirmou.

Produtora nega que Vorcaro tenha financiado “Dark Horse”

A Go up Entertainment, produtora do filme, divulgou nota nesta quinta-feira (14) negando que recursos do banqueiro ou do Banco Master tenham entrado no projeto. Segundo a empresa, “Dark Horse” tem mais de dez investidores e nenhum deles é ligado a Vorcaro.

A produtora afirmou que a legislação norte-americana sobre captação privada no setor audiovisual impede a divulgação da identidade dos investidores. Esse mecanismo é chamado de acordo de confidencialidade, um contrato que protege o sigilo das partes envolvidas em uma operação financeira.

Em nota, a Go up declarou: “A produtora reafirma que o projeto cinematográfico Dark Horse foi estruturado dentro de modelo privado de desenvolvimento audiovisual, por meio de articulações, parcerias e mecanismos legítimos do mercado de entretenimento nacional e internacional, sem utilização de recursos públicos”. A empresa ressaltou que conversas com potenciais investidores não significam, automaticamente, que houve aporte financeiro.

Mário Frias também contradiz Flávio Bolsonaro

O deputado federal Mário Frias (PL-SP) também negou a versão do senador. Frias atua como produtor executivo de “Dark Horse” e classificou como falsa a entrada de dinheiro do banqueiro.

Segundo o deputado, “não há um único centavo” de Daniel Vorcaro no filme. Frias declarou que o projeto foi desenvolvido integralmente com capital privado, sem participação financeira do banqueiro.

Apesar das negativas da produtora e do deputado, o próprio Flávio Bolsonaro admitiu publicamente ter procurado Vorcaro em busca de patrocínio para o filme. O senador alegou atrasos em parcelas de patrocínio privado como motivo dos contatos.

Daniel Vorcaro está preso por esquema bilionário

Daniel Vorcaro está preso em São Paulo. O ex-banqueiro é acusado pela Polícia Federal de chefiar um esquema de fraudes financeiras que pode chegar a R$ 12 bilhões. As investigações fazem parte da operação Compliance Zero.

Nesta quinta-feira (14), o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, foi preso em Belo Horizonte na sexta fase da mesma operação. As ordens foram expedidas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A revelação das mensagens e do áudio amplia a crise política em torno da relação entre o senador e o banqueiro. Aliados de Flávio Bolsonaro afirmaram à imprensa que foram pegos de surpresa pelo conteúdo das conversas.

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