13/05/2026, 14:41

Pesquisa do Mercado Bitcoin revela paradoxo do investidor brasileiro com criptomoedas

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O Mercado Bitcoin (MB), em parceria técnica com a Opinion Box, divulgou nesta quarta-feira (13) a primeira edição da pesquisa “Panorama do Investidor Brasileiro: ativos digitais e o futuro dos investimentos”. O estudo aponta um paradoxo central: o brasileiro é conservador na hora de investir, mas demonstra apetite crescente por criptoativos, sobretudo entre as gerações mais jovens.

A pesquisa ouviu 1.009 investidores entre 10 e 15 de abril de 2026, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. O recorte abrangeu homens e mulheres acima de 18 anos das classes A, B e C de todas as regiões do Brasil, todos com algum tipo de investimento ativo.

Brasil é o 5º maior mercado cripto do mundo

O cenário do levantamento se desenha sobre um mercado global de criptoativos avaliado em mais de US$ 2,59 trilhões, segundo o TradingView. De acordo com a Triple-A, cerca de 25 milhões de brasileiros já tiveram algum investimento em cripto, número cinco vezes maior do que o de investidores na Bolsa.

O Brasil ocupa a quinta posição no Q1 2026 Global Crypto Adoption Index da TRM Labs, atrás de Estados Unidos, Coreia do Sul, Rússia e Índia, e à frente da Turquia. A evolução regulatória ajudou a consolidar o ambiente: em 2023, o país aprovou o Marco Legal dos Criptoativos. Em 2025, foram criadas as Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs), categoria regulatória que define empresas autorizadas a operar com ativos digitais no país.

Segurança vence a rentabilidade na decisão do investidor brasileiro

O perfil conservador domina as escolhas financeiras no Brasil. No recorte geral, 68% dos entrevistados priorizam segurança ao escolher um investimento, contra 53% que buscam rentabilidade.

Entre investidores de cripto, a lógica de proteção se traduz em diversificação. Nesse grupo, 70% citam diversificar a carteira como motivação principal, enquanto 68% buscam rentabilidade. A diversificação é uma estratégia financeira que consiste em distribuir o capital entre diferentes ativos para reduzir o risco total da carteira.

Os produtos financeiros mais utilizados pelos brasileiros reforçam o perfil conservador. CDB (Certificado de Depósito Bancário) lidera com 56%, seguido por poupança (49%) e Tesouro Direto (30%). Entre investidores de cripto, a adesão a produtos mais sofisticados é maior: 51% têm ações, 46% mantêm fundos imobiliários e 45% investem em fundos de investimento.

Mesmo entre os investidores cripto, quase metade (46%) mantém recursos na poupança, indicando que esse perfil não é radical e preserva a relação com produtos tradicionais.

Bitcoin na carteira eleva retorno em 33% em 10 anos

Estudo da MB Asset com base em dados da ComDinheiro mostra que, entre janeiro de 2014 e março de 2026, uma carteira tradicional 60/40 (60% CDI e 40% Ibovespa) entregou retorno acumulado de 259,6%. Ao acrescentar 5% de Bitcoin à mesma composição, o retorno saltou para 421,5%, alta de 33% na rentabilidade com pouco aumento de volatilidade.

O Sharpe ratio, indicador que mede o retorno obtido por unidade de risco assumida, passou de 0,13 para 0,52 com a inclusão de 5% de Bitcoin. Já o máximo drawdown, que representa a maior queda do topo ao fundo no período, recuou de 14,9% para 12,8%.

Apetite por cripto avança com força entre os jovens

As criptomoedas já fazem parte da carteira de 16% dos investidores brasileiros. Entre quem nunca investiu na categoria, 56% afirmam ter interesse em entrar no futuro. Outros 70% conhecem o produto, mas ainda não investiram, e 14% não conhecem nem possuem cripto.

O recorte por idade evidencia o avanço geracional. Entre brasileiros de 18 a 29 anos que ainda não investiram em cripto, 52% pretendem investir no futuro. No grupo de 30 a 49 anos, o percentual é de 44%, e entre os de 50 anos ou mais, 41%.

O Bank of America observa movimento semelhante nos Estados Unidos. Entre investidores de 21 a 43 anos, criptoativos aparecem em segundo lugar entre as maiores oportunidades de crescimento, com 28%. No grupo de 44 anos ou mais, a categoria cai para o penúltimo lugar, com 4%. Ações americanas, por outro lado, lideram entre os mais velhos (41%) e ocupam o nono lugar entre os mais jovens (14%).

A base do Mercado Bitcoin reflete o mesmo movimento: em maio de 2026, 12% dos novos clientes têm menos de 18 anos e 23% têm até 28 anos.

Quem entra em cripto não quer sair

A pesquisa mostra que 8 em cada 10 brasileiros que investiram em cripto não se arrependem da decisão. Mais relevante: 44% dos investidores cripto se arrependem de não terem começado antes. Para o MB, a barreira não está na experiência com o produto, mas na entrada.

No ranking de satisfação com investimentos, criptomoedas aparecem com 82% de felicidade declarada, à frente de ações (79%), fundos de investimento (76%) e poupança (58%). O CDB lidera a lista, com 86%.

Linguagem técnica é a maior barreira à adoção cripto

A pesquisa identificou três obstáculos principais para a adoção de criptoativos no Brasil. Sobre linguagem, 62% concordam que é muito difícil entender termos técnicos do universo cripto, e apenas 11% discordam.

Na percepção de complexidade, 76% acreditam ser necessário muito conhecimento para investir em produtos de alta volatilidade. Apenas 7% discordam.

O medo aparece de forma desigual: 48% de quem nunca investiu em cripto declaram receio do produto, contra 19% dos que já investiram. O dado sugere que o medo é consequência da falta de experiência, não a causa da resistência.

Termos como blockchain, halving, DeFi, Web3, smart contracts, stablecoin, RWA e cold wallet aparecem entre os mais citados como barreira de entendimento.

Bitcoin lidera preferência de quem quer começar a investir em cripto

Entre os brasileiros que pretendem entrar no mercado cripto, o Bitcoin é a escolha de 56% dos entrevistados, seguido por Ethereum (21%), ouro digital ou dólar digital (6%) e Solana (5%).

A comparação com 2024 mostra continuidade na liderança de Bitcoin e Ethereum, mas a entrada das stablecoins no top 3 representa uma mudança relevante. Em 2024, Solana e XRP ocupavam o terceiro e o quarto lugares, segundo relatório da CryptoQuant. Stablecoins são criptomoedas com valor atrelado a moedas tradicionais, como dólar ou euro, criadas para reduzir a volatilidade típica do mercado cripto.

Segundo a Receita Federal, cerca de 90% das movimentações cripto no Brasil envolvem stablecoins.

Bitcoin foi o ativo mais rentável da última década

A pesquisa também testou o conhecimento dos brasileiros sobre desempenho histórico. Cerca de 8 em cada 10 entrevistados erram ao apontar o ativo mais rentável da década, deixando o Bitcoin fora do radar. Apenas 22% do público geral coloca o Bitcoin em primeiro lugar no ranking de rentabilidade dos últimos 10 anos. Entre quem possui cripto, o percentual sobe para 37%.

Dados de 30 de abril de 2026 mostram que o Bitcoin acumulou alta de 10.728,9% entre 2016 e 2026, com retorno anualizado de 46,2%. Em segundo lugar aparece o S&P 500 (índice das maiores empresas listadas nos Estados Unidos), com retorno acumulado de 839,5% e anualizado de 19,9%. O ouro acumulou 285,3% (11,5% anualizado) e o Ibovespa, 263,6% (11% anualizado).

Stablecoins e empréstimo com cripto seguem desconhecidos

A maior parte dos investidores desconhece produtos cripto que poderiam trazer vantagens financeiras. Sobre stablecoins em remessas internacionais sem cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), 64% dos entrevistados afirmam desconhecer o uso. Esses ativos permitem transações 24 horas por dia, liquidação rápida em transferências internacionais e custos reduzidos.

Já o uso de criptomoedas como garantia em empréstimos é desconhecido por 67% dos investidores. O modelo permite acesso a crédito sem análise de score, com liberação rápida e taxas mais acessíveis que o crédito pessoal tradicional, em um cenário de juros elevados no Brasil.

Metade dos investidores trocaria Pix por cashback em Bitcoin

Apesar do desconhecimento sobre alguns produtos, o brasileiro se mostra aberto a mudar hábitos financeiros. Metade dos entrevistados (50%) disse que trocaria o Pix tradicional por um cartão de débito que oferece 1% de cashback em Bitcoin em todas as compras. Outros 31% responderam “talvez” e 19% rejeitaram a troca.

Entre os que já investem em cripto, a disposição para migrar do Pix sobe para 60%.

Queda do Bitcoin é vista como oportunidade pela maioria

A pesquisa também avaliou a percepção sobre o atual momento de baixa do Bitcoin. No público geral, 61% enxergam o cenário como oportunidade de investimento, enquanto 39% veem como risco de perder dinheiro. Entre investidores cripto, a leitura otimista chega a 79%, contra 21% que avaliam como risco.

A frequência e a consistência dos aportes também diferenciam os perfis. Entre investidores de cripto, 68% fazem contribuições semanais, quinzenais ou mensais. No público geral, o percentual é de 56%.

Regulamentação é o principal critério na escolha da plataforma de cripto

A confiança aparece como fator decisivo na escolha da plataforma para investir em cripto. Para 55% dos entrevistados, o principal atributo é ser uma plataforma regulamentada. Em seguida vêm mecanismos de segurança (48%) e sites e aplicativos com linguagem clara (45%).

A lista de critérios se completa com atendimento personalizado (36%), atendimento em português (34%) e proximidade com o cliente (33%).

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